Hospital Regional de Eunápolis enfrenta crise com salários atrasados, falta de insumos e demissão de médicos
Salários atrasados, falta de medicamentos e materiais para cirurgias, dificuldades no atendimento, problemas estruturais e protestos da população. Esse é o cenário relatado por médicos, pacientes e familiares sobre a situação do Hospital Regional de Eunápolis, que voltou a ser alvo de uma série de denúncias nas últimas semanas.
Segundo os profissionais que atuam na unidade, os problemas se arrastam há mais de dois anos e comprometem as condições de trabalho e a assistência prestada aos pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com os médicos, cerca de 80 a 85 profissionais estariam sem receber os salários referentes aos meses de maio e junho, além de parte do pagamento de julho. Os profissionais afirmam que esta é a terceira empresa responsável pela gestão do hospital a deixar pendências salariais com a categoria. Segundo os relatos, a crise financeira e administrativa já teria provocado a demissão de dois médicos que atuavam na unidade, aumentando a preocupação sobre a continuidade dos atendimentos.
Além dos atrasos, os profissionais denunciam a falta de materiais para procedimentos ortopédicos, campos cirúrgicos, antibióticos e outros insumos considerados essenciais. “Estamos sem material para operar, sem campo cirúrgico, sem antibióticos e com salários atrasados desde maio”, relatou um dos médicos, sob condição de anonimato.
As dificuldades também são relatadas por pacientes e acompanhantes. Denúncias encaminhadas à reportagem apontam problemas na estrutura da unidade, como falta de água, banheiros entupidos, ausência de itens básicos de higiene e condições consideradas inadequadas de funcionamento. Pacientes internados também reclamaram da alimentação oferecida pelo hospital, afirmando que o cardápio seria repetitivo e insuficiente.
Um dos pacientes afirmou: “Não aguentamos mais tomar chá e comer ovo cozido”. Familiares ainda denunciam a suposta falta de anestesistas, medicamentos e insumos, situação que, segundo eles, estaria contribuindo para atrasos em cirurgias e prolongando o sofrimento de pessoas que aguardam atendimento.
Diante da sequência de reclamações, familiares, pacientes e moradores realizaram um protesto em frente ao Hospital Regional cobrando respostas da gestão municipal. A manifestação ocorreu em meio às denúncias sobre a falta de profissionais e materiais necessários para o funcionamento da unidade. Os médicos também levantam questionamentos sobre a empresa responsável pela administração do hospital.
Segundo os profissionais, um dos sócios teria ligação com um ex-diretor da organização social que administrava anteriormente a unidade e que chegou a ser preso. Eles afirmam ainda que a empresa acumula mais de 400 processos trabalhistas e que a Justiça teria determinado a suspensão do processo licitatório, embora, segundo os denunciantes, a empresa continue à frente da gestão.
A sequência de denúncias expõe uma crise que envolve profissionais, pacientes e familiares que dependem do Hospital Regional de Eunápolis. Segundo o Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed-BA), a entidade encaminhou ofícios à Prefeitura de Eunápolis e às empresas citadas, cobrando esclarecimentos e providências sobre a situação, mas ainda não recebeu resposta.
A reportagem mantém o espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Eunápolis, da direção do Hospital Regional, do Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Saúde (IDES) e demais envolvidos, para que apresentem esclarecimentos sobre os fatos relatados.


