No próximo domingo (09), milhares de famílias brasileiras celebrarão o Dia dos Pais. Para muitos homens, a data será marcada por abraços, presentes e homenagens. Para outros, será um dia de saudade, desafios ou superação. Há pais biológicos, adotivos, solteiros, viúvos, pais de crianças com deficiência, padrastos que se tornaram pais pelo amor e homens que reconstruíram suas famílias depois da dor.
Embora as histórias sejam diferentes, a missão permanece a mesma. Segundo a Bíblia, Deus confiou aos pais uma responsabilidade que vai muito além de sustentar financeiramente um lar: eles são chamados para proteger, ensinar, amar e conduzir espiritualmente seus filhos.
Essa diversidade também aparece nas estatísticas brasileiras. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, 64,6% dos homens brasileiros com 15 anos ou mais já eram pais em 2019, o equivalente a dezenas de milhões de brasileiros exercendo a paternidade. A pesquisa também mostra que a idade média do primeiro filho é de 25,8 anos e que cada homem tem, em média, 1,7 filho.
Já o Censo Demográfico 2022 revela uma transformação importante nas famílias brasileiras: pela primeira vez, os casais com filhos deixaram de ser maioria entre os arranjos familiares, enquanto aumentou o número de lares monoparentais e de diferentes configurações familiares. No Brasil, cerca de 1,6 milhão de homens criam os filhos sozinhos como pais solo, de acordo com os dados oficiais do IBGE.
Deus escolheu um pai para explicar Seu próprio amor:
Para o historiador e teólogo, pastor Wagner Augusto Vieira Aragão, não é por acaso que Deus utiliza justamente a figura paterna para revelar Seu caráter.
“Há um verso na Bíblia que resume, em poucas palavras, o peso e a beleza de ser pai: ‘Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem’ (Salmos 103:13). Deus escolheu justamente essa imagem para explicar ao ser humano algo do seu próprio coração”, afirma.
Segundo ele, embora Israel não tivesse um “Dia dos Pais”, a paternidade era constantemente celebrada por meio da vida espiritual da família. Durante a Páscoa, por exemplo, era responsabilidade do pai explicar aos filhos o significado da libertação do Egito (Êxodo 12 e 13). As bênçãos patriarcais concedidas por Isaque e Jacó também demonstram que o pai era responsável por transmitir identidade, herança espiritual e propósito às futuras gerações.
“Talvez a Bíblia não tenha reservado um dia específico para celebrar o pai porque, na prática, cada refeição pascal e cada bênção pronunciada já cumpriam esse papel: lembrar à família de onde ela vinha e quem a guiava”, justifica Aragão.
A Bíblia apresenta vários tipos de pais:
As Escrituras também revelam que, nos tempos bíblicos, haviam pais de vários tipos. Abraão,por exemplo, representa o pai biológico que espera pacientemente o cumprimento da promessa de Deus.
José, marido de Maria, tornou-se o grande exemplo de pai adotivo. “Jesus não era seu filho por geração, mas José o recebeu, protegeu e criou como próprio. É uma das mais belas ilustrações bíblicas de que paternidade é, antes de tudo, compromisso”, ressalta o pastor.
Mordecai acolheu Ester como filha. Jefté enfrentou sozinho a criação de sua única filha. Jó conheceu a dor de perder os filhos, mas experimentou a graça de reconstruir sua família.
Para Wagner Aragão, essas histórias revelam que Deus nunca limitou a paternidade a um único formato. “A Bíblia oferece uma galeria de homens reais, com histórias diferentes, todos convocados à mesma tarefa de cuidar, proteger e ensinar”, enfatiza.
O pai como sacerdote da casa:
Outro aspecto destacado pelo pastor é que o pai aparece nas Escrituras como o primeiro responsável pela formação espiritual da família: Abraão erguia altares por onde passava; Jó orava continuamente por seus filhos; Josué declarou: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”
Segundo Wagner Aragão, essa função continua atual. “Hoje isso se traduz, sobretudo, no culto doméstico: aquele momento diário em que o pai reúne a casa para orar, ler a Palavra e apontar, com sua própria voz e exemplo, para Deus”, destaca.
“Minha família foi construída pelo amor”:
Essa verdade ganha forma na história do designer gráfico Edinei Motta. Pai de Ítalo, diagnosticado com autismo, e de Priscila, adotada há quatro anos, ele afirma que ambos chegaram por caminhos diferentes, mas transformaram sua vida da mesma maneira. “Ser pai do Ítalo e da Priscila é um dos maiores presentes que Deus me confiou”, ressalta.
Sobre o filho autista, ele afirma: “O Ítalo me ensina todos os dias a enxergar o mundo com mais paciência, sensibilidade e amor. Cada pequena conquista dele é um lembrete de que Deus trabalha no tempo certo”.
Já sobre a adoção, sua definição emociona. “A Priscila é a prova viva de que o amor de Deus vai muito além dos laços de sangue. Ela nos mostrou que uma família é construída pelo amor, pelo cuidado e pela decisão diária de acolher e servir”, conta o designer.
Edinei resume sua missão em uma frase: “Meu maior desejo é que o Ítalo e a Priscila permaneçam firmes em Cristo e façam dEle o alicerce de suas vidas. Esse é o maior legado que sonho deixar para eles.”
Seis princípios bíblicos para ser um bom pai:
1. Esteja presente
Mais importante do que estar em casa é estar disponível emocionalmente para ouvir, brincar e aconselhar.
2. Ore pelos seus filhos
Jó intercedia continuamente por sua família (Jó 1:5).
3. Ensine a Palavra
Como na Páscoa judaica, aproveite os momentos da rotina para falar sobre Deus (Êxodo 12 e 13).
4. Seja exemplo
Os filhos aprendem muito mais pelo comportamento do que pelos discursos.
5. Ame também a mãe dos seus filhos
Como destaca Wagner Aragão, cuidar do casamento continua sendo um dos maiores presentes que um pai oferece aos filhos.
6. Lembre-se do verdadeiro legado
Bens passam. A fé permanece. O maior patrimônio que um pai pode deixar é uma vida que aponte para Cristo.
Fonte Comunhão


