Nunca tivemos tanto acesso à informação sobre saúde. Em poucos segundos, qualquer pessoa pode encontrar vídeos sobre colesterol, hormônios, alimentação, câncer, vitaminas, medicamentos e praticamente qualquer doença. No Dia Nacional da Saúde, nesta quarta-feira (5), o clínico geral Dr. Alfredo Salim Helito alerta: o problema das redes sociais não é apenas a mentira, mas a informação médica verdadeira usada fora de contexto.
Seria razoável imaginar que uma sociedade mais informada se tornaria necessariamente mais saudável. O que vejo no consultório, porém, mostra que essa relação não é tão simples.
Cada vez mais pacientes chegam não apenas com sintomas, mas com um diagnóstico pronto, uma lista de exames que desejam fazer e, algumas vezes, até com o tratamento escolhido. O médico passa parte da consulta explicando por que aquilo que pareceu tão convincente em um vídeo de 60 segundos não necessariamente se aplica àquela pessoa.
Esse talvez seja um dos grandes desafios atuais da medicina: nunca tivemos tanta informação disponível e, ao mesmo tempo, tanta dificuldade para separar conhecimento de ruído.
O problema não é apenas a fake news
É relativamente fácil combater uma mentira evidente. Mais difícil é lidar com uma informação verdadeira transformada em regra universal.
A creatina é um bom exemplo. É uma substância amplamente estudada, com benefícios bem estabelecidos em determinadas situações e um perfil de segurança conhecido quando utilizada adequadamente. Isso é muito diferente de concluir que todo mundo precisa tomar creatina.
O mesmo acontece com vitaminas e suplementos. Uma deficiência de vitamina D deve ser corrigida. Isso não significa que doses elevadas sejam benéficas para qualquer pessoa. Ferro é essencial para quem apresenta deficiência, mas não deve ser usado indiscriminadamente.
Nas redes sociais, porém, frequentemente desaparecem as palavras que são fundamentais para a medicina: “depende”, “em alguns pacientes”, “quando indicado”.
E surgem recomendações ainda mais preocupantes.


