Para 73% dos frequentadores de igrejas protestantes dos Estados Unidos, é possível caminhar com Deus sem a ajuda de outros cristãos. O dado, do estudo State of Discipleship, do Lifeway Research, foi analisado nesta quarta-feira (28) pelo diretor executivo do instituto, Scott McConnell. Em 2019, o índice era de 65%.
O número chama atenção porque, no mesmo levantamento, 69% dos entrevistados concordam que precisam de outros cristãos para crescer na fé. Ou seja, boa parte dos frequentadores assina as duas afirmações ao mesmo tempo, mesmo que uma pareça desmentir a outra.
Dois números que se contradizem:
A diferença aparece quando se olha para a convicção das respostas. Segundo o Lifeway, 42% concordam totalmente que conseguem caminhar com Deus sozinhos, enquanto 31% concordam totalmente que dependem da ajuda dos irmãos. A ideia de independência, portanto, é defendida com mais firmeza do que a de comunidade.
A comparação com a série histórica reforça a tendência. Em 2019, o instituto fez as mesmas perguntas: 75% diziam precisar de outros cristãos, sendo 38% com concordância total, e 65% afirmavam poder seguir sem eles, 36% com convicção total. Desde então, a percepção de que a fé pode ser vivida de forma isolada subiu oito pontos, e a de que os irmãos são necessários caiu seis.
Caminhar com Deus em comunidade:
No artigo publicado no site do instituto, McConnell sugere que parte dos entrevistados pode ter pensado em situações extremas, como ser o único cristão em um lugar ou conviver com um grupo de crentes que toma decisões ruins. Nesses casos, afirmar que é possível caminhar com Deus sozinho revelaria mais compromisso do que capacidade.
Ainda assim, ele defende que ninguém consegue seguir bem a Cristo por conta própria. O pesquisador lembra que, na carta aos Filipenses, logo depois de dizer que Deus age nos fiéis, o apóstolo Paulo anuncia o envio de Timóteo e Epafrodito para cuidar da igreja. Para McConnell, tratar o desenho de Deus para a vida comunitária como opcional carrega “uma arrogância”, nas palavras publicadas por ele nas redes do Lifeway.
O que o instituto sugere às igrejas:
Na avaliação do diretor, o aumento dos que acham possível viver a fé isoladamente mostra a necessidade de ensino claro sobre o tema. Ele propõe que pastores e líderes reforcem que cada cristão importa e que o corpo de Cristo precisa de todos os membros.
Entre os caminhos citados estão sermões dedicados ao assunto, treinamento de líderes de pequenos grupos, aulas para novos membros e um ensino que destaque os pronomes no plural usados nas Escrituras. Os pequenos grupos, segundo ele, são um bom espaço para criar esse compromisso, desde que o objetivo seja dito de forma explícita.
O mesmo estudo já havia apontado, nesta semana, os hábitos que mais pesam na maturidade cristã, com a oração, o louvor e a participação em pequenos grupos entre os fatores de maior peso no discipulado.
Fonte Comunhão


