Gestão municipal não efetivou concessão de saneamento deixada pela ex-prefeita Cordélia Torres
A atual crise no abastecimento de água em Eunápolis, que já deixou mais de 36 bairros sem água, expõe não apenas problemas estruturais antigos, mas também a omissão da atual gestão municipal em dar continuidade à concessão do saneamento assinada em 2024.
No final da gestão da ex-prefeita Cordélia Torres, foi assinada a ordem de serviço e o contrato de concessão dos serviços de água e esgoto, com previsão de investimentos de aproximadamente R$ 275 milhões, válidos por 30 anos.
O objetivo era claro: enfrentar de forma definitiva os graves problemas de saneamento e abastecimento que Eunápolis enfrenta há anos.
Entretanto, a concessão não foi efetivada pela gestão municipal atual, que não deu andamento prático às medidas necessárias para que os investimentos saíssem do papel.
Como resultado, a população segue refém de um sistema falho, instável e incapaz de garantir o mínimo: água nas torneiras.
A interrupção do abastecimento afeta diretamente crianças, idosos e famílias inteiras, que ficam sem condições básicas de higiene, alimentação e saúde.
A falta de água compromete o atendimento domiciliar, a rotina das escolas e até unidades de saúde, agravando ainda mais a crise social no município.
Diante desse cenário, a responsabilidade recai sobre o poder público municipal, que tinha em mãos uma concessão já assinada e com potencial para mudar a realidade da cidade, mas não avançou na sua implementação.
A inércia administrativa contribuiu diretamente para o colapso atual no abastecimento.
Eunápolis não precisa de novas promessas, mas de decisões concretas, continuidade administrativa e responsabilidade com a população.
Água é um direito básico — e a falta dela revela o alto custo da má gestão e da descontinuidade das políticas públicas.


