Em meio a uma disputa pelas vagas ao Senado na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT), a corrida eleitoral na Bahia vai mais uma vez colocar frente a frente a disputa entre o petismo e o carlismo.
Com desgaste acumulado no Executivo e dificuldades de articulação interna, o PT baiano terá sua hegemonia dos últimos anos colocada à prova novamente por ACM Neto (União Brasil), herdeiro político de Antônio Carlos Magalhães, que lidera a disputa ao Palácio de Ondina, segundo diferentes institutos.
Murilo Hidalgo, CEO do instituto Paraná Pesquisas, explica que o eleitorado baiano está mais crítico com o desempenho do governo estadual do que esteve nas últimas três eleições. “O peso da gestão tem impactado de forma direta a intenção de voto, especialmente entre os que avaliam negativamente áreas sensíveis como segurança pública e saúde“.
O quadro é confirmado pelos últimos levantamentos de intenção de voto. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 26 de novembro, por exemplo, apontou ACM Neto com 44%, contra 35% de Jerônimo Rodrigues. Já o da Genial/Quaest, de 22 de agosto, apontou o ex-prefeito com 41% e o governador com 34%.
Em julho, o Paraná Pesquisas mostrou ACM com 53,5% contra 28,1% de Jerônimo, e com 53,3% contra 28% de Rui Costa, caso o ministro-chefe da Casa Civil volte ao tabuleiro estadual. Em anos anteriores, porém, o PT também saiu atrás nos levantamentos e o quadro foi se acirrando ao longo da disputa.
Hidalgo observa, porém, que “há uma tendência de estabilidade na liderança de ACM Neto, enquanto os nomes do PT não conseguem reduzir a diferença”. “Não vemos, até agora, um movimento de recuperação do governador. O índice de rejeição é estrutural: não se trata apenas de comunicação ou campanha, mas de percepção consolidada sobre a gestão“, diz ele.
De acordo com o Paraná Pesquisas, a avaliação do governo estadual reforça o ambiente adverso: apenas 32% classificam a administração como “boa ou ótima”, enquanto 42,2% a consideram “ruim ou péssima”.
Hoje, o governador enfrenta um desafio raro para o PT baiano: governar e, simultaneamente, estancar um processo de perda de apoio que já se reflete em disputas internas na própria base.
Nos bastidores, setores petistas chegaram a aventar a hipótese de Jerônimo abrir mão da reeleição em favor de Rui Costa, movimento negado publicamente pela cúpula do partido. Ainda assim, a possibilidade de reorganização da chapa não está descartada, especialmente se as pesquisas continuarem indicando estagnação do governador.


