Em 23 de julho de 2023, Samile Costa sentiu a dor mais difícil para uma mãe. Seu filho, Gabriel Silva da Conceição Júnior, foi morto aos 10 anos de idade, após ser baleado perto de casa, no bairro de Portão, em Lauro de Freitas, durante uma operação policial.
Educado, dono do sonho de jogar futebol profissionalmente e, acima de tudo, apenas uma criança, Gabriel entrou para uma triste estatística de jovens baleados em Salvador e região metropolitana. Entre 2022 e 2026, 258 crianças e adolescentes foram vítimas da violência armada na região, aponta o mapeamento Futuro Exterminado, feito pelo Instituto Fogo Cruzado.
Das 258 vítimas ao longo dos últimos quatro anos, 66,7% (172) morreram e 33,3% (86) ficaram feridas, uma demonstração da letalidade dessas ocorrências. Só em 2026, até o dia 11 de abril, foram registrados 26 casos de crianças e adolescentes baleados, dos quais 20 resultaram em mortes.
Em 2025, 69 jovens baianos foram vítimas da violência armada. À época, Dudu Ribeiro, integrante da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia, cofundador e diretor-executivo da Iniciativa Negra, avaliou que Salvador convive há muitos anos com uma mudança lamentável, perceptível nas idades inscritas nas lápides dos cemitérios da cidade.
“Uma geração que nasceu nos anos 2000 e não consegue ter uma trajetória protegida de vida. Parte importante dessa violência sistemática e estrutural é perpetrada pelo próprio Estado, a partir, em grande parte, das políticas de segurança pública, mas não apenas. Há também violação de direitos na saúde, na educação e em outras áreas que deveriam proteger a trajetória desse jovem, e a gente tem um processo conduzido pela extrema direita que busca a criminalização ainda maior de adolescentes”, disse.
Fonte Correio24 horas


