Ex-candidata a vereadora Ritinha, denuncia suposto esquema de “candidatura laranja” em Eunápolis e caso pode ter desdobramentos graves
Uma grave denúncia envolvendo suposta fraude eleitoral e uso de candidaturas femininas como “laranja” voltou a repercutir em Eunápolis, no extremo sul da Bahia. O relato de uma ex-pré-candidata a vereadora está causando forte impacto político e poderá provocar novos desdobramentos na Justiça Eleitoral, inclusive colocando mandatos de vereadores em risco.
Durante entrevista na Rádio Nova FM 90,3 com os Radialistas Leandro Lima, e Wallas Torres, a mulher afirmou que foi usada apenas para cumprir a cota de gênero exigida pela legislação eleitoral. Segundo ela, nunca participou de forma efetiva da campanha e sequer teve acesso aos recursos que, oficialmente, teriam sido destinados à sua candidatura.
“Não me chamaram pra ser candidata. Quando eu fiquei sabendo já tava tudo programado. Simplesmente me davam papel pra eu assinar em branco. Como eu sou analfabeta, não sei ler nem escrever direito”, declarou.
A ex-pré-candidata também relatou que jamais viu o dinheiro que teria sido movimentado em seu nome e negou qualquer participação em irregularidades. O caso ganhou ainda mais repercussão após ela afirmar que passou a ser apontada pela população como responsável pelo desaparecimento de cerca de R$ 60 mil.
“Hoje eu não consigo arrumar trabalho em lugar nenhum. Onde eu chego as pessoas falam: ‘ali é a famosa Ritinha que roubou 60 mil’. Eu nunca vi esse dinheiro”, desabafou.
Segundo o relato, pessoas ligadas ao grupo político tinham acesso constante ao seu celular e controlavam praticamente toda a movimentação relacionada à candidatura. Ela afirma ainda que, após o período eleitoral, foi abandonada pelas pessoas que a convenceram a participar do processo.
“Eu passei necessidade dentro de casa. Liguei pedindo ajuda, mas fui isolada. Hoje não falam mais comigo”, afirmou.
As denúncias reacendem o debate sobre o uso de candidaturas femininas fictícias apenas para preencher a cota mínima exigida pela legislação eleitoral brasileira. Casos semelhantes já resultaram na cassação de chapas inteiras em diversos municípios do país.
Especialistas apontam que, se comprovada a fraude à cota de gênero, vereadores eleitos pelo partido ou federação envolvidos poderão perder os mandatos, além de outras punições previstas, na legislação eleitoral.
O caso deverá aumentar a pressão sobre os órgãos de fiscalização e pode abrir novas investigações sobre a utilização de recursos públicos de campanha em Eunápolis.


