A volta da polarização PT x Carlismo

A disputa estadual reedita um duelo conhecido e que já completa sete eleições consecutivas. Desde 1998, petistas e carlistas se enfrentam diretamente no pleito baiano.

A disputa estadual reedita um duelo conhecido e que já completa sete eleições consecutivas. Desde 1998, petistas e carlistas se enfrentam diretamente no pleito baiano. O que muda para 2026 é a correlação de forças. Depois de quatro vitórias seguidas do PT para o governo e de uma vantagem de 44 pontos para Lula em 2022, o ambiente político no Estado se modificou.

Segundo Cláudio André, professor de Ciência Política da UNILAB, “o lulismo continua forte na Bahia, mas perdeu capacidade de organizar sozinho o campo progressista“. Ele destaca que ”a crise de popularidade de Jerônimo desgasta não só o governador, mas afeta a percepção de continuidade de um ciclo petista que já dura duas décadas“.

Do outro lado, ACM Neto ajusta sua estratégia para consolidar uma frente de centro-direita sem se associar diretamente ao bolsonarismo, rejeitado por parcela expressiva do eleitorado baiano. O ex-prefeito mantém diálogo com partidos como Republicanos, PL, PP e PSDB, articulando uma aliança ampla capaz de ampliar seu alcance no interior, ponto crítico na derrota anterior.

Cláudio André interpreta esse movimento como “uma reconstrução do carlismo em bases modernas, mais pragmáticas e menos ideológicas“. Para ele, ”Neto entende que vencer na Bahia depende de falar com o eleitor mediano, não com o eleitor bolsonarista puro“.

No discurso da oposição, a segurança pública, tema que lidera as preocupações dos baianos, ocupa posição central. A crítica sobre os indicadores do setor pesa sobre Jerônimo, já que a Bahia figura entre os estados mais violentos do País, segundo o Anuário da Segurança Pública 2025.

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