Famílias denunciam caos no CAPS Infantil e falta de medicamentos e insumos em Eunápolis
Famílias que dependem da rede pública de saúde de Eunápolis denunciam uma série de dificuldades no atendimento do CAPS Infantil. Uma mãe procurou a Rádio Nova FM para relatar a demora para conseguir consulta com psiquiatra para os filhos. Segundo ela, a espera pode chegar a três ou até cinco meses. A mulher afirma que o problema não seria causado pelo profissional, mas pela alta demanda e pelo número reduzido de médicos disponíveis. De acordo com o relato, existe apenas um psiquiatra para atender uma demanda que ultrapassaria 2 mil crianças.
Ainda segundo a mãe, mesmo estando em agosto, a administração teria informado que não há mais vagas para consultas e que novos atendimentos só seriam disponibilizados no próximo ano. Ela também relata que já chegou ao CAPS por volta das 11h acompanhada da criança e só foi atendida às 16h, permanecendo cerca de cinco horas no local. A denunciante afirma ainda que não há fonoaudióloga disponível e critica as condições oferecidas durante a espera, citando inclusive um bebedouro com água quente. Segundo ela, durante o período de espera, a alimentação oferecida seria apenas uma barra de cereal e um pedaço de melão.
As reclamações também partem de mães atípicas. Uma delas fez um desabafo nas redes sociais denunciando a falta de medicamentos necessários para o tratamento do filho, diagnosticado com TEA, TDAH e TOD, nível de suporte 3. Segundo a mulher, sem a medicação as crises da criança se intensificam, afetando toda a rotina familiar. Ela afirma que tem precisado retirar dinheiro do próprio bolso para comprar os medicamentos e cobra providências do prefeito Robério Oliveira. “Nós não aguentamos mais sofrer”, desabafou a mãe.
Outro morador também relatou dificuldades na rede municipal de saúde. Após sofrer um acidente, ele afirma que precisa realizar curativos e está sendo obrigado a comprar com recursos próprios materiais como óleo de girassol, ataduras e esparadrapos. Revoltado, o homem relembrou uma fala atribuída ao prefeito durante um evento de forró: “Vocês não me pediram forró, então tome forró”. Segundo ele, enquanto a administração investe em festas, moradores precisam tirar dinheiro do próprio bolso para conseguir materiais básicos para tratamento. O denunciante afirma ainda que já teria mobilizado cerca de 60 pessoas para participar de um movimento de manifestação contra o que considera descaso na saúde.
Diante dos relatos, cresce a cobrança por respostas do poder público municipal. As denúncias apontam para uma combinação de alta demanda, poucos profissionais, demora no atendimento, falta de medicamentos e ausência de insumos básicos. A população questiona onde estão os investimentos destinados à saúde e cobra medidas para garantir atendimento digno às crianças e demais pacientes que dependem do SUS. A reportagem buscará um posicionamento da Prefeitura de Eunápolis e da Secretaria Municipal de Saúde sobre as denúncias apresentadas.


