El Salvador encerrou 2025 com a menor taxa de homicídios desde o início dos registros, resultado da guerra contra as gangues, afirmou o governo salvadorenho na segunda-feira, 5.
Desde março de 2022, o presidente Nayib Bukele lidera uma ofensiva contra esses grupos sob um estado de emergência que permite prisões sem mandado. Segundo organizações de direitos humanos, a medida resultou em violações de direitos humanos.
De acordo com o ministro da Justiça e Segurança, Gustavo Villatoro, a taxa de homicídios caiu para 1,3 caso por 100 mil habitantes em 2025, ante 1,9 em 2024.
Além disso, os 82 homicídios registrados em 2025 foram “solucionados”, disse o ministro à imprensa.
Villatoro afirmou ainda que, ao longo de 2025, as autoridades conseguiram “neutralizar e continuar derrotando” as gangues, que ele classificou como o “maior inimigo” do país.
Bukele afirmou nas redes sociais que “não existem mais áreas inseguras em nenhum lugar do país” e que crimes como extorsão, que antes afetavam cerca de 80% dos salvadorenhos, “praticamente desapareceram”.
O presidente lembrou que, “historicamente”, El Salvador registrou uma taxa de homicídios “extraordinariamente alta”, iniciada durante a guerra civil (1980-1992) e que “nunca terminou”, com “picos extremos” em meados da década de 1990 e novamente em 2015 e 2016.
El Salvador começou a contabilizar oficialmente os homicídios em 1992, ao final do conflito interno de 12 anos.
Em 2015, a taxa de homicídios chegou a 106 casos por 100 mil habitantes, tornando o país um dos mais violentos do mundo fora de contextos de guerra.
“Em outras palavras, passamos de capital mundial do homicídio para o país mais seguro do Hemisfério Ocidental, e estamos a caminho de nos tornarmos o país mais seguro do mundo”, enfatizou Bukele.
Sob o estado de emergência, quase 91 mil pessoas foram presas por suposto envolvimento com gangues. Cerca de 8 mil dos detidos, no entanto, foram libertados após serem considerados inocentes, segundo dados oficiais.
A ONG Ajuda Jurídica Humanitária informou, no fim do ano passado, que 473 pessoas morreram na prisão sob esse regime, muitas delas sem que um juiz jamais tivesse determinado sua culpa ou inocência.
Segundo Bukele, as gangues controlavam cerca de 80% do território nacional e se financiavam por meio da extorsão de milhares de salvadorenhos, principalmente comerciantes e trabalhadores do setor de transportes. Aqueles que se recusavam a pagar eram assassinados./Com informações da AFP


