Jerônimo vai iniciar último ano de mandato com rejeição em alto e tentando se manter como canditdato a reeleição

Jerônimo vai iniciar último ano de mandato com rejeição em alta e tentando se manter como candidato a reeleição O último ano do mandato do

Jerônimo vai iniciar último ano de mandato com rejeição em alta e tentando se manter como candidato a reeleição

O último ano do mandato do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), ainda nem começou formalmente, mas o calendário político de 2026 já se impõe como um obstáculo concreto à sua permanência no Palácio de Ondina. Diferentemente do roteiro tradicional vivido por governadores que buscam a reeleição, Jerônimo entra no ano decisivo pressionado por altos índices de rejeição, crises administrativas sensíveis e, sobretudo, pela dúvida pública — e interna — sobre sua própria viabilidade eleitoral.

Dentro do Partido dos Trabalhadores, o clima está longe de ser de consenso. A cúpula petista estabeleceu março de 2026 como prazo final para bater o martelo sobre a manutenção, ou não, do nome de Jerônimo na chapa majoritária. Até lá, o governador precisará demonstrar, com números, entregas e capacidade política, que reúne condições reais de disputar a reeleição. Caso contrário, a legenda admite rever a estratégia, algo raro para um partido que historicamente preserva seus mandatários.

A resistência não é gratuita. Jerônimo enfrenta hoje um cenário adverso na opinião pública, evidenciado não apenas por pesquisas internas, mas também por manifestações populares espontâneas. Vaia aqui, constrangimento ali. O governador já foi hostilizado em municípios do interior e, de forma simbólica e politicamente devastadora, no Carnaval de Salvador — um termômetro sensível do humor social baiano. Episódios assim reforçam a percepção de desgaste e alimentam a narrativa de rejeição crescente.

No campo administrativo, os desafios são ainda mais concretos. A segurança pública segue como o principal calcanhar de Aquiles do governo. A Bahia continua liderando rankings nacionais de violência, com sucessivos episódios de crimes graves que expõem a fragilidade das políticas adotadas. Na saúde, o cenário não é menos preocupante: filas, reclamações recorrentes, unidades sobrecarregadas e dificuldades estruturais persistem, especialmente fora da capital.

A tudo isso soma-se uma conta bilionária que o governador terá de explicar com clareza. Ao longo do mandato, Jerônimo Rodrigues autorizou 23 pedidos de empréstimos que, somados, ultrapassam os R$ 27 bilhões. Embora o discurso oficial sustente que os recursos serão destinados a investimentos estruturantes, a sociedade e os órgãos de controle aguardam respostas mais objetivas sobre o destino, a execução e o impacto real desses valores na vida do cidadão baiano. Em ano pré-eleitoral, essa justificativa deixa de ser apenas técnica e passa a ser eminentemente política.

Internamente, o governador também tem dado sinais de dificuldade na condução do próprio grupo. Declarações polêmicas, ruídos na comunicação e decisões mal explicadas têm provocado crises desnecessárias dentro do governo, abrindo flancos para críticas da oposição e desconforto entre aliados. A imagem de um gestor inseguro politicamente começa a se consolidar, o que enfraquece ainda mais sua posição dentro do partido.

Não por acaso, uma ala do PT já defende abertamente a substituição de Jerônimo por Rui Costa, atual ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia. Rui, que deixou o cargo com índices de aprovação elevados, é visto por muitos como um nome mais competitivo para enfrentar um cenário eleitoral que se anuncia duro e imprevisível. A simples existência dessa discussão revela a dimensão da crise enfrentada pelo atual governador.

Assim, 2026 não será apenas o último ano de mandato de Jerônimo Rodrigues. Será, sobretudo, um ano de prova. Prova de gestão, de articulação política, de capacidade de reação e de reconexão com uma população que, até aqui, demonstra mais desconfiança do que entusiasmo. Se não conseguir mudar esse quadro em pouco tempo, o governador corre o risco de entrar para a história não como candidato à reeleição, mas como um mandato interrompido politicamente antes mesmo da largada eleitoral.

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