Médicos do HRE cobram explicações e soluções sobre atrasos de pagamento em Eunápolis
Os médicos e médicas que atuam no Hospital Regional de Eunápolis (HRE) vivem, desde julho de 2025, uma situação de insegurança e insatisfação em relação à remuneração pelos serviços prestados.
A principal queixa da categoria é a falta de pagamento regular, o que consideram não apenas ilegal, mas sobretudo injusto.
Segundo os profissionais, a relação estabelecida com a organização gestora do hospital, a IGH, não é de natureza trabalhista, mas sim civil – modelo conhecido como “pejotização”.
Isso implica que eventuais demandas judiciais devem ser tratadas não pela Justiça do Trabalho (esfera federal), mas pela Justiça Comum do Estado da Bahia, reconhecidamente uma das mais lentas do país.
Diante disso, parte dos médicos avalia que a solução mais rápida não é a via judicial, mas sim a pressão política e administrativa sobre o gestor municipal, já que os recursos da saúde são repassados mensalmente ao Fundo Municipal de Saúde, administrado pela Prefeitura de Eunápolis.
“Não fomos nós, médicos, que firmamos contrato com a IGH. Foi o próprio prefeito municipal.
Logo, ele deve à categoria não apenas satisfações, mas sobretudo providências”, destacou um dos profissionais em nota compartilhada entre os colegas.
Proposta de saída negociada
A categoria defende uma reunião urgente e fraterna com o prefeito de Eunápolis, a fim de firmar um “pacto pela saúde pública”.
A ideia é que, em um diálogo transparente, seja estabelecida uma forma de quitar os débitos em aberto, reconhecendo o trabalho essencial prestado pelos médicos à população.
“Já demonstramos, na prática, que somos parceiros nesta nobre missão de oferecer uma saúde pública eficaz e resolutiva em Eunápolis. O povo humilde da nossa cidade merece respeito e atendimento digno”, afirmam.
Responsabilidade atual e pendências passadas
Na discussão, os profissionais também fizeram questão de separar responsabilidades.
Segundo eles, o Dr. Firmino Netto, atual gestor do HRE, só deve ser cobrado a partir do momento em que a nova organização social, a IDES, assumiu a administração plena do hospital – fato que ocorreu em 17 de setembro de 2025.
Portanto, os atrasos referentes ao período anterior devem ser tratados em outra esfera, sem misturar com a nova gestão.
Saúde é direito do cidadão
Os médicos reforçam que a situação fere não apenas contratos, mas também um princípio constitucional:
> “Saúde é direito do cidadão e dever do Estado” (artigo 196 da Constituição Federal de 1988).
A mobilização da categoria deve se intensificar nos próximos dias, com expectativa de reunião direta com o prefeito para buscar uma solução rápida e justa.


