O Ministério Público da Bahia (MP-BA) ingressou com uma ação civil pública contra a cantora Claudia Leitte, acusando a artista de discriminação religiosa e pedindo sua condenação ao pagamento de R$ 2 milhões por dano moral coletivo. O processo foi protocolado no dia 2 de dezembro e tem a participação do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro).
A ação é resultado de um inquérito civil instaurado após denúncias de lideranças religiosas de matriz africana e de entidades de defesa da liberdade religiosa. O foco da investigação é a alteração recorrente de letras de músicas associadas à cultura afro-baiana, em especial da canção “Caranguejo”, na qual Claudia Leitte teria substituído o verso “saudando a rainha Iemanjá” por “eu canto meu rei Yeshua”, termo em hebraico utilizado para se referir a Jesus Cristo.
Segundo o MP-BA, embora a cantora tenha o direito constitucional de professar sua fé, a modificação reiterada de uma obra ligada ao patrimônio cultural afro-brasileiro extrapola os limites da liberdade artística e religiosa, sobretudo em razão da ampla visibilidade nacional da artista. Para a promotoria, a conduta promove um apagamento simbólico de referências religiosas historicamente marginalizadas.
O caso ganhou repercussão após a circulação de vídeos em redes sociais mostrando a alteração da letra durante apresentações públicas. Embora existam registros dessa prática desde o lançamento de um DVD em 2014, o Ministério Público afirma que a reincidência da conduta, mesmo após a abertura do procedimento investigatório e a repercussão negativa, agravou a situação.
Fonte Comunhão


