Quase 40% das famílias baianas enfrentam dificuldades para colocar comida na mesa aponta IBGE

Quase 40% das famílias baianas enfrentam dificuldades para colocar comida na mesa, aponta IBGE Dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados

Quase 40% das famílias baianas enfrentam dificuldades para colocar comida na mesa, aponta IBGE

Dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em 10 de outubro de 2025 mostram que a Bahia segue entre os estados com as maiores parcelas de domicílios que convivem com algum grau de insegurança alimentar: 37,8% das residências baianas relataram, em 2024, preocupação com a falta de comida, redução da quantidade ou mesmo episódios de fome. Esses números, extraídos do módulo Segurança Alimentar da PNAD Contínua, representam uma fatia expressiva da população que ainda não consegue colocar comida garantida na mesa.

A pesquisa do IBGE divide a insegurança alimentar em três níveis: leve (preocupação ou redução da qualidade dos alimentos), moderada (redução da quantidade de comida entre adultos) e grave (falta de alimentos que atinge também crianças e configura episódios de fome). Em 2024, todas as faixas recuaram no país, mas a Bahia mantém índices muito acima da média nacional, e está entre os estados com maiores proporções de domicílios em insegurança alimentar.

No plano nacional, o IBGE registrou melhora: a proporção de domicílios com algum grau de insegurança alimentar caiu de 27,6% em 2023 para 24,2% em 2024, o que o governo federal passou a apresentar como indicador de recuperação e de saída do país do chamado “Mapa da Fome”. Autoridades federais comemoraram queda nos índices graves de insegurança alimentar e investimentos em programas sociais.

Já o governo da Bahia tem ressaltado avanços e programas voltados ao tema, em comunicados oficiais o governador Jerônimo Rodrigues e sua equipe destacaram medidas do programa estadual e parcerias com o governo federal, e chegaram a afirmar que a Bahia alcançou o menor nível de insegurança alimentar em duas décadas. São declarações que marcam uma tentativa de mostrar progresso na agenda da alimentação.

Mas a realidade observada pelos números do IBGE expõe uma lacuna entre discurso e efeito prático: apesar das iniciativas anunciadas, quase quatro em cada dez lares baianos reportaram, em 2024, algum grau de insegurança alimentar, um patamar que coloca o estado entre os mais afetados do país e que, na visão de especialistas que analisam os dados, exige respostas mais robustas e imediatas.

Críticos da gestão estadual apontam que boa parte das ações anunciadas não tem alcançado escala suficiente ou sido acompanhada de avaliações independentes que comprovem impacto direto na redução da fome. Em vez de apenas celebrar números nacionais ou metas de programa, dizem esses críticos, o governo precisa priorizar medidas emergenciais (ampliação de cestas básicas e compra local de alimentos para abastecer programas sociais) e estruturais (fortalecimento da agricultura familiar, política de preço mínimo e garantia de renda) que realmente modifiquem o cotidiano das famílias mais vulneráveis.

Aos olhos de moradores de cidades do interior e periferias urbanas, comemorações oficiais não substituem o vazio das panelas. Enquanto Jerônimo Rodrigues divulga conquistas, nas ruas e nas comunidades a sensação é de que as medidas ainda não chegam com a intensidade necessária para reduzir a insegurança alimentar vivida pela população baiana. A queda nacional nos indicadores dá, segundo analistas, uma oportunidade política para gestores estaduais reforçarem ações direcionadas às localidades mais afetadas, algo que, para muitos observadores, ainda não tem sido feito com a urgência exigida pelos números.

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