Solimões, a rota do crime

A partir desse episódio, instalou-se a guerra que redefiniu o mapa criminal no Brasil. Sem o antigo acesso aos fluxos tradicionais de drogas, o CV

A partir desse episódio, instalou-se a guerra que redefiniu o mapa criminal no Brasil. Sem o antigo acesso aos fluxos tradicionais de drogas, o CV foi obrigado a buscar novas rotas de abastecimento e, inicialmente, firmou aliança com a facção Família do Norte, em Manaus. Atualmente, essa organização é considerada extinta por investigadores.

Com essa parceria, o CV passou a dominar a rota do Solimões, garantindo seu próprio fornecimento. O controle territorial se tornou, então, a base de sua estratégia de expansão, um movimento que fortaleceu a facção e se consolidou como resposta direta ao avanço do PCC.

— Atualmente, o PCC controla a rota caipira e se especializa no atacado e no envio de drogas, principalmente para a Europa, enquanto o Comando Vermelho controla o Alto Solimões e se concentra em abastecer o consumo interno no Brasil, apesar de também ter negócios internacionais, só que de forma embrionária perto do PCC — disse Lima.

A expansão de cada facção, no entanto, ocorreu por caminhos distintos. O CV caracteriza-se pela expansão territorial agressiva, utilizando confrontos para matar ou integrar traficantes e facções locais. Sua atividade principal foca em abastecer o consumo interno de drogas no Brasil, que é o segundo maior consumidor mundial de cocaína. Para isso, controla territórios que passam pela Amazônia, terras indígenas e chegam aos centros consumidores, como o Sudeste.

Já a maconha skunk produzida na Colômbia, que chega por meio da Rota do Solimões, é destinada quase integralmente ao mercado brasileiro e registra crescimento especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

O estudo aponta que a facção está na Colômbia, Peru, Bolívia e Suriname. Dados da Polícia Federal (PF), contudo, mostram que há negócios também com Argentina, Paraguai e Venezuela. Lima explica que quando houve a expansão do Comando Vermelho para aAmazônia, já existiam modalidades de crime organizado fortemente conectadas a ilícitos ambientais, como desmatamento, garimpo e grilagem.

O crime ambiental pré-existente na região possuía tecnologia de lavagem de dinheiro bastante sofisticada, como no caso do ouro, que acabou por capacitar e qualificar a facção a lavar o dinheiro da droga.

O método de atuação do PCC, por sua vez, baseia-se na ocupação estratégica de pontos de infraestrutura crítica: portos, aeroportos e estradas que conectam regiões. A facção se especializou no tráfico em grande escala e no envio de drogas, sobretudo para a Europa, mercado considerado mais rentável.

O grupo explora intensamente as rotas aéreas e utiliza alianças para acessar diferentes mercados, operando com uma estrutura que se assemelha a uma holding e associados: parceiros que utilizam a logística da facção para garantir que a carga chegue ao destino final.

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