Trancoso: Dono de pousada revela como descobriu esquema cometido por funcionários que desviou mais de R$ 50 mil

Após a Polícia Civil da Bahia deflagrar, no dia 13 de janeiro de 2026, uma operação para apurar crimes de estelionato e associação criminosa em

Após a Polícia Civil da Bahia deflagrar, no dia 13 de janeiro de 2026, uma operação para apurar crimes de estelionato e associação criminosa em uma pousada no distrito de Trancoso, em Porto Seguro (BA), o empresário Ricardo Macêdo, proprietário do estabelecimento, detalhou ao Site como descobriu o esquema de desvio de dinheiro cometido por funcionários.

Segundo Ricardo, a fraude foi revelada a partir do recebimento de um e-mail anônimo que apontava o envolvimento do gerente geral, da supervisora financeira e do supervisor operacional. De acordo com a denúncia, os funcionários realizavam reservas sem registrá-las no sistema oficial da pousada, desviando os valores pagos pelos hóspedes.

O empresário explicou que a prática é conhecida no setor hoteleiro como “reserva fantasma” e costuma ser identificada apenas quando há a conciliação entre o inventário físico e o digital. Nesse esquema, os hóspedes não eram oficialmente cadastrados e os pagamentos eram feitos em dinheiro. “Foi um esquema muito bem orquestrado”, afirmou.

Após tomar conhecimento da denúncia, Ricardo Macêdo confrontou a supervisora financeira na presença de outra funcionária. Apesar de tentar negar inicialmente, ela acabou confessando o envolvimento e apontou os outros dois funcionários como participantes do esquema. Segundo o empresário, a funcionária não teve como sustentar a versão, já que o e-mail anônimo também havia sido encaminhado para os setores financeiro e administrativo da pousada.

Os três suspeitos chegaram a ser presos, passaram uma noite na carceragem e foram liberados após se comprometerem a devolver R$ 50 mil — valor que, segundo a Polícia Civil, foi recuperado durante as diligências. Ricardo, no entanto, acredita que o montante desviado seja significativamente maior. Ele afirma ainda que continua recebendo mensagens com relatos de novas “reservas fantasmas”, que deverão ser anexadas como provas ao inquérito policial.

Um dos hóspedes utilizados no esquema ainda estava hospedado na pousada quando o caso foi descoberto e prestou depoimento à polícia. O cliente relatou que pagou R$ 7 mil por uma estadia que, oficialmente, custaria R$ 14 mil. De acordo com o empresário, essa diferença de valor fazia parte da estratégia usada pelos funcionários para atrair clientes.

Para dificultar a identificação das fraudes, após o primeiro contato feito pelo telefone oficial da pousada, os funcionários passavam a manter o atendimento por meio de contatos pessoais. O valor de R$ 7 mil citado pelo hóspede estava em posse da supervisora financeira, que retornou ao empreendimento na noite da denúncia para entregar o dinheiro ao segurança, alegando que havia esquecido de realizar o depósito.

SINAIS DO ESQUEMA
Outro episódio que levantou suspeitas ocorreu meses antes da operação policial. Uma recepcionista foi demitida pelo gerente geral sem justificativa plausível. Após a revelação do esquema, ela procurou Ricardo Macêdo e relatou que havia identificado uma reserva feita pelo gerente, sugerindo que fosse divulgada no grupo de vendas da pousada. O pedido foi negado, a funcionária foi proibida de insistir no assunto e acabou demitida em seguida.

Ricardo informou que a empresa está realizando um levantamento com todas as recepcionistas que passaram pela pousada durante a gestão do ex-gerente, apontado por ele como o mentor intelectual do esquema. “Ele aliciou os outro envolvidos porque ele precisava de alguém que estivesse na pousada nos momentos em que ele estava ausente”.

Além disso, o empresário destacou que os três funcionários passaram a apresentar mudanças repentinas no padrão de vida, com a aquisição de roupas e acessórios novos, aparentemente caros, além da compra de uma motocicleta. Todos foram demitidos por justa causa. As investigações seguem em andamento para identificar o valor total do prejuízo e apurar a eventual participação de outros envolvidos.

 

 

 

Fonte Bocão News

Leia mais