Os juros no Brasil foram mantidos nesta quarta-feira (4) onde estavam: lá em cima, na estratosfera. É uma péssima notícia para todo mundo, pois no final das contas juros não são causa, são em geral consequências de outras coisas. Principalmente decisões políticas.
A de gastar mais do que se ganha é uma das principais. Não só do atual governo – mas de uma sucessão deles.
Um comportamento desse tipo, no qual a sociedade brasileira se viciou, é insustentável ao longo do tempo. Algo que Lula 3 não quis reconhecer e, ao que tudo indica, Lula 4 também não reconhecerá.
O presidente já deu inúmeras demonstrações públicas de não ser capaz de entender o funcionamento de alguns mecanismos básicos em economia, apegado à ideia equivocada de que gasto público é vida.
Diante da compreensível, esperada e óbvia reação de milhões de agentes econômicos, preocupados com economia desacelerando e juros e inflação subindo, ele anunciou para breve mais um anúncio.
O de que vai atender ao mesmo tempo as promessas de campanha e as angústias das pessoas preocupadas com o rumo das próprias contas – pois as do governo, segundo Lula, são sempre ótimas.
Ocorre que as promessas eleitorais de mais gastos não combinam com a situação das contas públicas. Populismo do tipo praticado por Lula, mas não só por ele, segue sempre a mesma receita.
A festa é hoje. Alguém pagará a conta amanhã.
Para vencer eleições, gastou o que não tinha e prometeu o que não podia, mas a conta será paga pelo conjunto da sociedade, com os mais vulneráveis sofrendo mais, como sempre.
Esses juros desta terça-feira (4) são um tipo de spoiler.


