R$ 55 milhões por mês: por que o básico continua faltando em Eunápolis?

R$ 55 milhões por mês: por que o básico continua faltando em Eunápolis? Eunápolis possui um orçamento que ultrapassa os R$ 660 milhões por ano,

R$ 55 milhões por mês: por que o básico continua faltando em Eunápolis?

Eunápolis possui um orçamento que ultrapassa os R$ 660 milhões por ano, o equivalente a mais de R$ 55 milhões por mês. Ainda assim, a população segue enfrentando dificuldades em áreas essenciais, como saúde, infraestrutura e manutenção urbana. Enquanto a Prefeitura anuncia grandes atrações para os festejos de São João e São Pedro, com artistas de renome nacional e cachês milionários, moradores convivem com a falta de serviços básicos e levantam um questionamento que se repete nos bairros: como uma cidade com essa arrecadação ainda enfrenta tantos problemas estruturais?

Na saúde, as reclamações são constantes. Pacientes relatam falta de medicamentos essenciais, como a losartana, usada no tratamento de hipertensão. Em diversas unidades, também faltam ataduras, insumos básicos e materiais odontológicos. Na Unidade de Saúde do Colônia, por exemplo, há atendimento odontológico disponível, mas a falta de materiais impede que o dentista realize procedimentos de forma adequada. Além disso, a demora para a realização de exames tem sido motivo de preocupação, com pacientes aguardando por longos períodos sem previsão de atendimento.

Os problemas também são visíveis nas ruas da cidade. Buracos, mato alto e falta de manutenção fazem parte da rotina de diversos bairros. A infraestrutura precária afeta motoristas, motociclistas e pedestres diariamente, gerando transtornos e riscos constantes. Para moradores, a sensação é de abandono em várias regiões, enquanto o contraste com os investimentos em eventos e festas públicas chama atenção.

A situação dos cemitérios municipais também tem provocado revolta. Em diversos locais, o mato alto toma conta das áreas de sepultamento, cobrindo túmulos e catacumbas e dificultando a visita de familiares. O cenário de abandono gera indignação e reforça os questionamentos sobre as prioridades da administração municipal. Como uma cidade que arrecada cerca de R$ 55 milhões por mês pode permitir que espaços de memória e respeito aos mortos cheguem a esse nível de degradação?

O comércio local também sente os reflexos da situação econômica. Diversas lojas fecharam as portas, inclusive no centro da cidade, refletindo um cenário de desaceleração e dificuldade para os empresários. Diante desse contexto, moradores voltam a cobrar equilíbrio nas prioridades do poder público. Enquanto shows e eventos seguem sendo anunciados, a população questiona quando os investimentos na saúde, infraestrutura e serviços básicos vão acompanhar o mesmo ritmo. A cobrança é por uma cidade mais equilibrada, onde os recursos públicos se traduzam em melhorias reais na vida de quem vive em Eunápolis.

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